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terça-feira, junho 27, 2006

Para ti...

Só aqui,
O tempo torna-se intemporal.
Só aqui,
Os problemas vão-se tornando pequenos,
Até que desaparecem.
É como se tu os pintasses
Com uma tinta mágica,
Transparente, que só tu conheces.
Sim. Talvez seja isso.
Porque tudo é possível aqui, contigo.

Estou preso aqui.
Estou preso a ti
Mas nunca me senti tão livre.
Serão asas?! Ou estarei apenas suspenso
Por uma força que exerces em mim,
Simplesmente porque queres. E eu também.
Que gravidade é esta que me deixa sem pé?
Mas para quê terra firme
Quando se tem todo o céu à disposição…

Por mais que nos digam que não dá,
Ficaremos juntos, os dois
Como o sol e a chuva
Quando ambos teimam em ficar.


Pedro E. Santos
(croqui)

sábado, abril 29, 2006

FETICHE :: Paulo Abrunhosa

É de cor fulva
a penuge da vulva
da mulher que eu adoro.
O problema é que moro
num bairro de lata.
A renda é barata,
mas a casa não serve
e eu não tenho verve
que a convença
que não é doença
a minha probeza.
É uma tristeza!
E uma chatice.
Porque o meu fetiche
é ter uma ruiva
que me diga que uiva,
em jeito de mimo,
mal eu me aproxime.
Essas são raras
e pagam-se caras.
E esta é uma delas.
E das mais belas.
Vai ser um castigo,
casá-la comigo!

in "Diário de um Dromedário"

quinta-feira, abril 20, 2006

UNIAO (IM)PERFEITA) :: Paulo Abrunhosa

«Os homens usam o poder que têm para obter das mulheres o sexo que desejam, enquanto as mulheres usam o sexo que têm para obter dos homens aquilo que almejam!»

in "Diário de um Dromedário"

quarta-feira, abril 19, 2006

AS FORÇAS DO MEL :: Paulo Abrunhosa

Na cozinha
da Rainha
abriu a caça
à massa,
ao passo que, na minha,
foi a farinha
que, de avental,
gritou para o quintal
ser inimiga
da formiga.

Entretanto, a vizinha,
em conversa com a galinha,
disse que tanto lhe faz
ter um rapaz ou um ananás.
“O que importa”,
concluiu, “é a horta não estar morta”.
“Couve
é que nunca lá houve”,
sussurrou o velho abade,
ao ouvido de um feijão frade
“nem crescem lá sinos, nem mesmo meninos”,
retorquiram, em coro, os pepinos.

Foi, então, que o jasmim,
lá do fundo do jardim,
resolveu pedir à cereja
que fosse num instante há igreja
implorar ao sacristão,
na circunstância, o agrião,
para que falasse com os nabos,
recém-promovidos a cabos,
e com os palermas dos pimentos,
ufanos da sua condição de sargentos,
e os convencesse a não imitar as sementes,
que, armadas em tenentes,
agrediram o atum
sem motivo nenhum
e trataram as trufas
como se fossem putas.

Melhor seria que fizessem como o defunto
presunto,
ou o malogrado tomate,
infelizmente caídos em combate,
numa luta sem quartel
contra as forças do mel!

in "Diário de um Dromedário"

ANGUSTIAS :: Paulo Abrunhosa

Cristo:
mas o que vem a ser isto?
Maomé:
então, como é?
Buda:
quando é que isto muda?

in "Diário de um Dromedário"