sábado, abril 29, 2006

"O Caminho Amarelo" :: Pintura






Pedro E. Santos
(croqui)






"O Caminho Amarelo"
Aguarela
32 x 20

"Smog" :: Fotografia






Vitor Reis





"Smog"

FETICHE :: Paulo Abrunhosa

É de cor fulva
a penuge da vulva
da mulher que eu adoro.
O problema é que moro
num bairro de lata.
A renda é barata,
mas a casa não serve
e eu não tenho verve
que a convença
que não é doença
a minha probeza.
É uma tristeza!
E uma chatice.
Porque o meu fetiche
é ter uma ruiva
que me diga que uiva,
em jeito de mimo,
mal eu me aproxime.
Essas são raras
e pagam-se caras.
E esta é uma delas.
E das mais belas.
Vai ser um castigo,
casá-la comigo!

in "Diário de um Dromedário"

quinta-feira, abril 27, 2006

quinta-feira, abril 20, 2006

UNIAO (IM)PERFEITA) :: Paulo Abrunhosa

«Os homens usam o poder que têm para obter das mulheres o sexo que desejam, enquanto as mulheres usam o sexo que têm para obter dos homens aquilo que almejam!»

in "Diário de um Dromedário"

quarta-feira, abril 19, 2006

"Sem Titulo" :: Fotografia






Marcelo H. Marques








"Sem Título"

testemunha ocular

AS FORÇAS DO MEL :: Paulo Abrunhosa

Na cozinha
da Rainha
abriu a caça
à massa,
ao passo que, na minha,
foi a farinha
que, de avental,
gritou para o quintal
ser inimiga
da formiga.

Entretanto, a vizinha,
em conversa com a galinha,
disse que tanto lhe faz
ter um rapaz ou um ananás.
“O que importa”,
concluiu, “é a horta não estar morta”.
“Couve
é que nunca lá houve”,
sussurrou o velho abade,
ao ouvido de um feijão frade
“nem crescem lá sinos, nem mesmo meninos”,
retorquiram, em coro, os pepinos.

Foi, então, que o jasmim,
lá do fundo do jardim,
resolveu pedir à cereja
que fosse num instante há igreja
implorar ao sacristão,
na circunstância, o agrião,
para que falasse com os nabos,
recém-promovidos a cabos,
e com os palermas dos pimentos,
ufanos da sua condição de sargentos,
e os convencesse a não imitar as sementes,
que, armadas em tenentes,
agrediram o atum
sem motivo nenhum
e trataram as trufas
como se fossem putas.

Melhor seria que fizessem como o defunto
presunto,
ou o malogrado tomate,
infelizmente caídos em combate,
numa luta sem quartel
contra as forças do mel!

in "Diário de um Dromedário"

"Firstborn" :: Desenho






Mafalda Santos








"Firstborn"
Grafite

galeria mime

ANGUSTIAS :: Paulo Abrunhosa

Cristo:
mas o que vem a ser isto?
Maomé:
então, como é?
Buda:
quando é que isto muda?

in "Diário de um Dromedário"

em Destaque :: Paulo Abrunhosa










No mês de Abril, o esquisso-a4 põe em destaque, também em tom de homenagem a vida e obra de Paulo Abrunhosa. “O Paulo era um príncipe da palavra”, disse um dia seu irmão Pedro, e é também essa a ideia que o esquisso pretende realçar. Alguns dos textos / versos, que o próprio Paulo se recusava a classificar de poesia, vão ser ao longo deste mês colocados entre os vários posts. Dotado de uma escrita no mínimo diferente, sobretudo no contexto literário actual, onde cada vez menos as rimas são usadas, o que parece simples e básico, é na verdade de elaborado conteúdo.

Pedro Santos (croqui)




















Paulo Abrunhosa

Nasceu a 12-05-58, no Porto. Nesta cidade, dá início aos seus estudos até completar o ensino secundário. Depois de cumprir o serviço cívico obrigatório, matricula-se na Universidade de Coimbra. Em 1985 licencia-se em Direito, tendo, de seguida, inicia o estágio de advocacia que não acabou. Avesso a todo o “establishment”, recusa alinhar com as gerações engravatadas do seu tempo. Em 1987 funda, em colaboração com o seu irmão Nuno, a revista “Metro”, a primeira de distribuição gratuita em Portugal. Ganhou um prémio com esta revista. A sua vida é dividida entre a noite e a escrita. A morte apanha-o de surpresa aos quarenta e três anos de idade, no auge das suas capacidades, e sem concluir a obra “Diário de um Dromedário”, onde podemos encontrar os textos publicados no esquisso, bem como esta biografia.



quarta-feira, abril 12, 2006

quarta-feira, abril 05, 2006