quinta-feira, novembro 30, 2006

em destaque :: "Mário Cesariny"















Este mês a arte e a cultura em geral perdeu um dos seus criadores!
Como diz o povo: "há remédio para tudo menos para a morte". Mas os artistas, mesmo não a conseguindo debelar, nunca chegam a morrer completamente. Pois as suas obras permanecem e habitarão sempre entre nós...
Novembro em destaque, é a humilde homenagem do esquisso a4 a Mário Cesariny.






Linha de Água







Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006).
Foi um pintor e poeta, considerado o principal representante do surrealismo português.
Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e estudou música com o compositor Fernando Lopes Graça. Durante a sua estadia em Paris em 1947, frequenta a Academia de La Grande Chaumière. É em Paris que conhece André Breton, cuja influência o leva a criar no mesmo ano o Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com figuras como António Pedro, José Augusto França, Cândido Costa Pinto, Vespeira, Moniz Pereira e Alexandre O´Neill. Este grupo surgiu como forma de protesto contra o regime político vigente e contra o neo-realismo. Mais tarde, funda o Grupo Surrealista Dissidente.
Mário Cesariny adopta uma atitude estética de constante experimentação nas suas obras e pratica uma técnica de escrita e de pintura amplamente divulgada entre os surrealistas designada “cadáver esquisito”, que consiste na construção de uma obra por três ou quatro pessoas, num trabalho em cadeia criativa em que cada um dá continuidade, em tempo real, à criatividade do anterior, conhecendo apenas parte do que este fez.
São algumas das suas obras poéticas: Corpo Visível, 1950; Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos, 1953; Manual de Prestidigitação, 1956; Pena Capital, 1957; Nobilíssima Visão, 1959; Burlescas, Teóricas e Sentimentais, 1972.








Fernando Pessoa











Voz numa Pedra

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal

Mário Cesariny

5 comentários:

Joana disse...

Por incrível que pareça foi há muito pouco tempo que li, pela primeira vez, um poema desse fantástico artista surrealista...
Apenas posso dizer que adorei... e que, de facto, perdemos um grande homem... uma mente simplesmente brilhante.

Mas nem tudo é mau... a sua obra perdurará e permacerá fantástica como sempre!

TR disse...

adoro aquelas linhas d'água!! É um trabalho excepcional!

Bolacha de Aveia disse...

Tb fiquei muito sentida. Tb lhe prestei homenagem... ao mestre.. um abraço.. vemo-nos por aí

Betty Branco Martins disse...

Olá Cleopatra

Fiquei encantada com a tua "casa" me encantou todos os seus cantos

Muitos Parabéns

Se não te importares voltarei:)

Beijinhos com carinho

KIM PRISU disse...

Mário Cesariny" é eterno , através da sua obra... bom dia de lua cheia...